A torre
Caravana de dois.
Céu sem estrelas.
Nuvens anunciando tempestade.
Olhos tateando o reflexo fluorescente do branco das dunas na escuridão da noite dos grandes desertos.
Nossos corpos ali se juntaram,
quentes, fatigados.
Corações, compassos, contido desespero.
Suspiros.
Agachados, te abracei.
Em minhas costa a chuva.
Distante já não sabíamos aonde, o mar.
Meu corpo tornou-se teu abrigo.
Após a chuva Erramos solitários através das intermináveis dunas, cristalinas lagoas de águas rasas e tranquilas, prenhas de mistério, continham a fórmula do
do tempo,
dos sonhos.
Nos aproximávamos do que seriam as luzes de um lugar.
Uma torre distante, um Farol.
À nossa volta, sinfonia de sapos, grilos.
horas depois, um rio.
O cruzamos cuidadosamente saltando as muitas pedras redondas, brancas, com o que nos restava de energia.
Olhos adaptados a luz da noite sem Lua. O início do que parecia ser uma rua. Não muito distante de nós, insetos circulam a lâmpada solitária de um poste sobre um antigo Ford F600 vermelho. Nenhum sinal de gente, um silêncio de noite profunda, e nós alí, perdidos naqueles benditos lençóis maranhenses.
Enfim Chegamos, às quatro da manhã.
Não à Betânia como havíamos programado
Mas, como ficaríamos sabendo depois de bater palmas em frente a uma casa, à Santo Amaro.
OSMundo


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